Sudão em colapso: cortes nos fundos internacionais paralisam atividades de saúde
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Sudão em colapso: cortes nos fundos internacionais paralisam atividades de saúde

10 de setembro de 2026

Federico Tonini – Cidade do Vaticano

Não há paz para o Sudão, protagonista de uma das mais graves crises humanitárias das últimas décadas, agravada pela guerra civil entre o Exército regular sudanês e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF), iniciada em abril de 2023. As organizações humanitárias anunciaram nestas horas que, devido a grandes cortes na ajuda internacional, 36 estruturas de saúde serão fechadas ao longo deste ano, agravando ainda mais um quadro já dramático, que afetará outras 473 mil pessoas.

Até agora, o conflito provocou 59 mil mortes e o deslocamento forçado de cerca de 13 milhões de pessoas. São números impressionantes diante dos quais, no entanto, parece prevalecer uma espécie de rendição geral. Os drásticos cortes no financiamento internacional, sobretudo por parte da USAID, obrigaram numerosas organizações humanitárias a suspender sua assistência, deixando as estruturas sem medicamentos ou sem os recursos indispensáveis para o sistema de saúde sudanês.

“Esses cortes – explica Mesfin Teklu Tessema, diretor técnico de saúde do International Rescue Committee – estão eliminando os poucos recursos que ainda restavam: estruturas são fechadas, profissionais de saúde são mandados para casa e são interrompidas as cadeias de fornecimento de medicamentos e tratamentos nutricionais. O sistema está em colapso.” Um número limitado de estruturas deverá permanecer em funcionamento graças ao apoio de outros fundos, mas prevê-se que sua autonomia não ultrapasse o final de setembro. “A última esperança poderia ser representada pelo hospital apoiado pelos Médicos Sem Fronteiras”, declara Fabrizio Locuratolo, responsável pelos assuntos humanitários da organização.

Enquanto isso, pelas mãos das Forças de Apoio Rápido, registra-se uma grave violação do direito internacional humanitário contra uma estrutura civil e judiciária. Um ataque com drone contra um tribunal no Cordofão do Norte provocou a morte de pelo menos 13 pessoas. “Parem as incursões contra estruturas civis”, pede a organização Emergency Lawyers, que condena firmemente a ofensiva. Uma posição clara, reforçada diante do aumento de episódios semelhantes, planejados pelas RSF na região e ocorridos sempre nos momentos em que a área é mais frequentada por civis.

A junta militar do Sudão, além disso, estaria tentando bloquear a investigação formal instaurada pelas Nações Unidas para apurar violações dos direitos humanos e do direito internacional, bem como os crimes cometidos durante o conflito. Hamid Hassan, representante permanente do Sudão junto à ONU, durante uma reunião realizada no final de agosto com embaixadores africanos, teria pressionado para rejeitar a missão, recorrendo também ao grupo de países aliados para bloquear a resolução apoiada pelos países ocidentais na sessão do Conselho da ONU.

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Fonte: Vatican News

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