Saúde mental: “Os consagrados precisam de se cuidar, para cuidar dos outros” - P.  Agostinho
Vaticano

Saúde mental: “Os consagrados precisam de se cuidar, para cuidar dos outros” - P. Agostinho

10 de setembro de 2026

Sheila Pires - África do Sul

O sacerdote moçambicano foi um dos formadores do seminário da Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA) sobre a ‘Saúde Mental e Autocuidado’ realizado de 31 de agosto a 4 de setembro de 2026, no Centro de Retiros Padre Pio, em Pretória, África do Sul. O encontro reuniu 29 religiosos e religiosas provenientes das seis conferências episcopais que constituem a IMBISA.

A formação abordou diferentes dimensões da saúde mental na vida consagrada. Entre os principais subtemas estiveram o autocuidado como condição para a missão; uma leitura psicológica da encíclica Laudato Si; a compreensão da saúde mental na vida religiosa; trauma, luto e dor não resolvida; abuso do álcool entre pessoas consagradas; e a construção de uma cultura de bem-estar mental.

Em entrevista ao Vatican News, o Pe. Agostinho explicou que os desafios de saúde mental não são novos, mas que o contexto atual apresenta novas pressões.

“Os fatores de estresse nos tempos passados eram menos em relação a agora”, afirmou o Pe. Agostinho. Segundo o sacerdote, o mundo tornou-se mais exigente e agressivo, enquanto as relações humanas e a consciência do sagrado também sofreram mudanças.

Recordando as comunidades do passado, observou haver formas empíricas de compreender comportamentos e dificuldades. A “minha avó, que não foi à escola, tinha uma prática psicológica, quer dizer, empírica; sabia interpretar fenómenos, comportamentos que hoje nós dizemos que são comportamentos psicológicos”, explicou.

Para o Pe. Agostinho, o autocuidado deve estar no centro da preparão dos consagrados. “É preciso de facto que os missionários consagrados cuidem de si, tomem conta de si, para poderem cuidar dos outros”, disse.

O seminário procurou também ajudar os participantes a superar o estigma associado à psicologia e à saúde mental. “Precisamos de vencer o estigma, precisamos de vencer os mitos de acreditar que a saúde mental ou a psicologia é uma questão de espiritualismo. Não é; é da pessoa, vem do ser humano”, afirmou.

O programa combinou apresentações, trabalho em pequenos grupos e partilha de experiências entre diferentes conferências da África austral, permitindo aos participantes refletir sobre os desafios concretos enfrentados pelos religiosos nos seus contextos.

Para o Pe. Agostinho, o encontro deve produzir frutos para além de Pretória. Os participantes são chamados a tornar-se porta-vozes da formação, levando a mensagem às suas comunidades e promovendo novos encontros e ações concretas.

“Não teria valido a pena investir tanto para trazer aqui 29 participantes e depois voltar a ficar sem fazer nada”, afirmou o Pe. Agostinho.

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Fonte: Vatican News

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