Dom Ricardo Hoepers abre série “Discernimento Católico – Eleições 2026” e aborda princípios da Doutrina Social da Igreja
CNBB

Dom Ricardo Hoepers abre série “Discernimento Católico – Eleições 2026” e aborda princípios da Doutrina Social da Igreja

20 de agosto de 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma série especial de Podcast – Discernimento Católico – Eleições 2026 -, dedicada a aprofundar a “ Mensagem da CNBB ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026 ”, publicada pelo Conselho Permanente da Conferência em junho deste ano. A cada episódio, apresentado pelo jornalista Luiz Lopes Jr, um dos aspectos do documento será abordado a partir dos ensinamentos da Igreja e dos desafios do período eleitoral.

O primeiro episódio da série tem como tema “O que diz a Doutrina Social da Igreja sobre a política” e contou com a participação do bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Na conversa, ele apresenta princípios para o discernimento dos cristãos e reforça que a missão da Igreja não é indicar candidatos ou partidos, mas oferecer critérios iluminados pelo Evangelho.

“Nós não somos partido. A Igreja é responsável por evangelizar. A fonte da Igreja é o Evangelho, que é a Boa-Nova, Jesus Cristo”, afirmou. Segundo dom Ricardo, a Doutrina Social da Igreja contribui para atualizar os ensinamentos do Evangelho diante das questões sociais e oferece instrumentos para que cada pessoa faça sua escolha de maneira consciente.

“A Igreja oferece critérios. E não são quaisquer critérios. São os critérios que estão no Evangelho”, ressaltou.

Durante o episódio, dom Ricardo apresenta princípios da Doutrina Social da Igreja que podem contribuir para a reflexão dos eleitores. Entre eles estão a dignidade da pessoa humana e a inviolabilidade da vida, o bem comum, a destinação universal dos bens, a solidariedade e a subsidiariedade.

Ao abordar o bem comum, o secretário-geral da CNBB destacou que a política deve estar voltada para toda a sociedade, e não apenas para interesses particulares:

“A política precisa pensar no todo, não apenas em um grupo, em um partido ou em um interesse. O critério do bem comum é o critério do cristão, é o critério do Evangelho”, explicou.

Para dom Ricardo, esses princípios não apontam nomes, mas oferecem referências éticas para o processo de escolha. “São critérios que não definem nomes de candidatos. Definem, eu diria, a ética que fará com que escolhamos bons candidatos.”

Outro aspecto aprofundado no primeiro episódio é a compreensão da política como uma forma de exercício da caridade quando está efetivamente orientada para o bem comum.

Dom Ricardo explicou que a caridade cristã não se limita às relações individuais, mas pode alcançar também as estruturas da sociedade. Políticas públicas e ações que promovem a dignidade humana, enfrentam injustiças e ampliam o acesso aos bens necessários à vida são, nessa perspectiva, expressões concretas do amor ao próximo.

“Toda estrutura social voltada para o bem comum é uma forma de ampliar essa caridade, esse amor ao próximo, por meio da política”, afirmou.

O bispo também fez referência ao conceito de “política melhor”, apresentado pelo Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti . Segundo ele, nem toda prática política pode ser compreendida como expressão da caridade.

“A política melhor é aquela que é para todos, todos, todos. É aquela que não discrimina ninguém. É aquela que respeita a dignidade humana em todas as regiões, independentemente dos interesses.”

A proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, memória litúrgica de São Francisco de Assis, também motivou uma reflexão sobre fraternidade e amizade social.

Dom Ricardo alertou para os efeitos da polarização, das inimizades e da violência nas relações políticas e defendeu que o período eleitoral seja vivido a partir do respeito ao outro.

“O outro jamais pode ser meu inimigo. O outro jamais pode ser um objeto que utilizo e depois descarto. A política melhor respeita o outro como irmão”, destacou.

O secretário-geral da CNBB também chamou atenção para a necessidade de superar conflitos partidários e ideológicos, inclusive no ambiente familiar, e direcionar o debate para o bem do país e, especialmente, para as necessidades das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

“Que São Francisco nos ajude a sermos mais irmãos, mais fraternos entre nós, superando as polarizações e olhando um pouco mais para o horizonte da fraternidade e do respeito ao outro”, afirmou.

A esperança cristã foi outro ponto abordado no Podcast. Para dom Ricardo, ela não pode ser entendida apenas como expectativa de que a realidade melhore, mas deve conduzir à ação e ao compromisso com a transformação da sociedade.

“A esperança não é somente a expectativa de que as coisas vão melhorar. Ela também é um ato concreto do cristão, daquele que crê e acredita que é possível mudar”, explicou.

Nesse sentido, o bispo ressaltou que problemas como corrupção, violência e injustiças não devem ser naturalizados. “A esperança em Cristo é saber que a cruz não é o final, mas que a ressurreição vem como vida nova.”

O primeiro episódio termina com uma oração conduzida por dom Ricardo a partir do livro Encontros de Reflexão e Oração sobre as Eleições 2026 , preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep).

Para o secretário-geral da CNBB, a participação nas eleições também deve ser acompanhada pela oração e pela consciência da responsabilidade de cada cidadão.

“Esse ato de cidadania que vamos realizar não é uma mera formalidade. É uma responsabilidade que precisa ser assumida como consequência da nossa oração”, afirmou.

A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” terá novos episódios nas próximas semanas dedicados a outros temas presentes na mensagem do Conselho Permanente da CNBB para as eleições de 2026, contribuindo para aprofundar a reflexão, a formação e o discernimento dos cristãos durante o período eleitoral.

Assista o primeiro episódio na íntegra:

Por Larissa Carvalho