Rede Cáritas mobilizada para socorrer o Nepal: alimentos, crianças e combate ao tráfico são prioridades
10 de setembro de 2026
Daniele Piccini – Cidade do Vaticano
As Cáritas de todo o mundo se mobilizam para socorrer a “irmã” nepalesa, empenhada em atender às primeiras necessidades da população atingida, em 26 de agosto, por uma inundação que provocou a morte de mais de 1.400 pessoas, deixou mais de 5 mil desaparecidos e destruiu casas e infraestruturas.
A Cáritas Internacional, braço internacional da Cáritas alemã, já está no local, trabalhando lado a lado com a Cáritas Nepal e a Children and Youth Collaborative Network (CYCN). Alimentos, assistência psicológica e prevenção do tráfico de pessoas são as prioridades. “Com a CYCN, iniciamos sessões de apoio psicológico. Criamos espaços seguros para eles, juntamente com diferentes tipos de terapia, como a terapia pela arte. Elas são destinadas às crianças que estão nos centros de acolhimento ou nos abrigos temporários identificados pelas administrações locais, especialmente em uma localidade do distrito de Rasuwa”, explica Raju Pradhan, consultor nepalês da Cáritas Internacional e “humanitário”, ou seja, enviado como agente para atuar no local.
Raju Pradhan, humanitário, consultor nepalês da Caritas International. {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/09/qwgverbh.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Ver literalmente o próprio mundo desmoronar sob seus pés deixou marcas profundas na memória dos pequenos. “Essas crianças – prossegue o agente humanitário – viram seus familiares e pessoas queridas morrer. Viram suas casas destruídas. Por isso sofrem de ansiedade. Muitas já não têm pessoas que cuidem delas. Há muitos órfãos e provavelmente haverá muitos outros. O que procuramos fazer, por meio dessas atividades terapêuticas, é ajudá-las a afastar a mente do que aconteceu e oferecer-lhes o apoio de profissionais, para que possam enfrentar e superar plenamente as consequências do que viveram.”
Contextos caóticos, como o cenário de uma catástrofe natural, onde circulam centenas de pessoas desconhecidas, são situações ideais para os traficantes de seres humanos. “Estamos planejando intervenções voltadas especialmente para as meninas – destaca Pradhan –, porque acredito que, em uma situação como esta, exista o risco de surgirem problemas relacionados ao tráfico. Por isso, trabalharemos com os funcionários dos centros de saúde e com as demais pessoas afetadas, promovendo maior conscientização sobre esse risco. Há também questões relacionadas à proteção, sobretudo de crianças e meninas. Os centros de acolhimento estão cheios de homens, mulheres, adultos e crianças: todos vivem juntos no mesmo lugar. Esses também são aspectos que precisamos levar em consideração.”
03/09/2026 Igreja Católica intensifica a ajuda humanitária no Nepal A dimensão da emergência é enorme: os números atualizados nesta semana apontam para mais de 1.200 mortos no Nepal e mais de 4.200 desaparecidos, além de milhares de pessoas ... O inverno se aproxima Há necessidades imediatas, como alimentos, e outras de médio prazo, como a chegada do inverno e do frio. “Estamos apoiando cozinhas comunitárias e fornecendo – acrescenta o consultor da Cáritas Internacional – bens essenciais às comunidades. Também preparamos kits para enfrentar o inverno. Nessas regiões, o inverno será muito rigoroso e as temperaturas já estão caindo. As pessoas precisam ter lugares aquecidos onde possam viver durante o inverno. Isso é o que foi feito até agora. Com a Cáritas Nepal, também temos um plano de longo prazo, que prevê o início de intervenções de recuperação tanto de curto quanto de longo prazo. Temos ainda, com a Cáritas Nepal, um programa muito mais amplo voltado para a reconstrução. Ele prevê também a construção de centros temporários para a educação e o apoio a algumas pessoas por meio de soluções habitacionais temporárias.”
O agente humanitário da Cáritas afasta qualquer dúvida quanto às causas do desastre. “Ele não foi causado pelo terremoto – esclarece Pradhan. – Na verdade, o U.S. Geological Survey, uma instituição geológica norte-americana, publicou um relatório segundo o qual teria ocorrido um deslizamento de terra provocado pelo derretimento da geleira. Uma gigantesca massa de terra teria caído no lago, provocando a inundação. Foi um movimento relacionado à geleira, e o terremoto, que depois provocou o deslizamento, foi uma consequência desse acontecimento.”
Trabalhadores da Caritas enfrentam estradas lamacentas para entregar ajuda a aldeias afetadas por inundações no Nepal. {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/09/dsc02247.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} O agente nepalês da Cáritas Internacional confirma que fenômenos desse tipo estão ocorrendo com frequência cada vez maior em seu país. “Estamos sofrendo cada vez mais eventos relacionados às mudanças climáticas, como inundações e derretimento das geleiras. Embora o Nepal contribua com cerca de 0,05% das emissões globais de dióxido de carbono e com 0,08% das emissões globais de gases de efeito estufa. As mudanças que estamos enfrentando – conclui – não dizem respeito apenas aos desastres, mas também às plantações, à perda das colheitas e à seca. As mudanças climáticas têm, portanto, um impacto significativo na vida cotidiana e nos meios de subsistência das pessoas.”
“Vivemos em uma casa comum que precisa ser cuidada por todos; caso contrário, os pobres serão cada vez mais atingidos pelas consequências do que acontece. O Nepal contribui com uma parcela muito pequena para a pegada ecológica, mas paga consequências extremamente pesadas, como frequentemente acontece com os países pobres em geral e com a Ásia.” Esta é a leitura ecológica e social do ocorrido apresentada pela Cáritas Italiana por meio de Beppe Pedron, coordenador regional para a Ásia da organização caritativa.
A gravidade, inclusive simbólica, do que aconteceu está expressa na preocupação que o governo nepalês confiou a um apelo internacional. “Pela primeira vez, quiseram enviar uma mensagem ao mundo, não apenas para responder à emergência, mas também para trabalhar sobre as causas”, acrescenta o agente humanitário italiano.
Mais de 84.000 pessoas no Nepal têm problemas de acesso à água potável. {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/09/dsc02315.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Sete minutos para salvar vidas Se até mesmo o teto do mundo está derretendo, o destino das geleiras situadas abaixo dos 8 mil metros é proporcionalmente pior. “Sabemos que algumas geleiras abaixo dos 8 mil metros já derreteram e continuam derretendo. A massa de gelo está diminuindo em nível global, e isso já está comprovado. Na cadeia do Himalaia, há várias geleiras em condições semelhantes àquela que provocou o desastre de 26 de agosto e que poderiam causar danos semelhantes. Não sabemos exatamente em que estado se encontram, porque essa inundação destruiu os sistemas de controle e monitoramento. Calcula-se, porém, que tenham transcorrido sete minutos desde o momento em que essa massa de gelo e terra caiu no lago, na região do Tibete, até chegar aos primeiros centros habitados, provocando uma destruição imensa. Essa é a janela de ‘alerta precoce’ sobre a qual podemos trabalhar para colocar as pessoas em segurança.”
A entrega de um carregamento de ajuda humanitária. {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/09/dsc02331.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Dentro de algumas semanas, Pedron viajará para o Nepal, onde permanecerá cerca de dez dias. As relações entre a Cáritas Italiana e sua “irmã” nepalesa são estreitas. “Há anos colaboramos em projetos menores. Depois, vinte anos atrás, o terremoto no Nepal foi uma oportunidade para mostrar nossa presença naquele país asiático, com recursos financeiros e operacionais e com equipes presentes no território.” Posteriormente, a colaboração também foi fortalecida por visitas recíprocas constantes.
“Entre nós existe uma geminação, marcada por uma proximidade particular, por encontros com delegações nepalesas e por projetos dedicados aos jovens. Uma relação que – conclui Pedron – em uma emergência como esta, se torna mais forte, e o apoio se torna ainda mais importante.”
Para doações:
- Para Esmolaria Apostólica (Escritório de Caridade do Santo Padre): clique aqu i!
- Para Caritas Nepal: https://www.caritasnepal.org/
- Catholic Relief Services: clique aqui !
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Fonte: Vatican News
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