“Pequenina de Deus!”
08 de setembro de 2026
Pe. Maicon A. Malacarne*
O profeta Miqueias anuncia: “Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel” (Mq 5,1). A profecia sobre a pequena Belém, que bem mais tarde será conhecida por acolher o Menino Jesus, oferece uma espécie de mapa para compreender a festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, nesta terça-feira.
Aos olhos do mundo, o nascimento de uma menina pode passar despercebido. Não há multidões, nem anúncios, nem fotografias, nem grandes aplausos. Mas justamente ali, no escondimento da vida, Deus prepara a sua presença: “presença escondida no ventre”, escreveu o filósofo Jean-Luc Nancy. Maria é a “pequenina de Deus” que acolherá um projeto grande, um “sim” que mudará para sempre a história.
O nascimento de Maria recorda-nos a pedagogia de Deus: no princípio, a pequenez; no princípio, o ordinário da vida; no princípio, a insignificância do real. Deus vai abrindo espaços, “na lei do mansinho”, diria Guimarães Rosa, com respeito aos tempos de cada pessoa. A pequenez transformada por Deus não deixa de ser pequenez: torna-se pequenez fecunda, pequenez abundante, lugar onde a vida pode florescer.
O nascimento de Maria é, nesse sentido, uma inversão daquilo que o nosso tempo exalta: a força, o poder, o domínio, o controle, a produção. Deus nos diz, com Nossa Senhora: bendita simplicidade, bendito silêncio, bendita pequenez, bendita liberdade... porque é assim que Deus encontra uma terra boa, aberta à possibilidade de nascer uma semente nova.
O Senhor nos convida a assumir a pequenez, a instabilidade e até mesmo as contradições dos nossos dias. Esse é um ponto de partida importante para a vida espiritual. Não precisamos apresentar ao Senhor as nossas máscaras, os nossos disfarces “de bondade”, aquilo que gostaríamos de ser aos olhos dos outros. Podemos apresentar aquilo que realmente somos: frágeis como vasos de barro, que somente encontram descanso quando se deixam repousar nas mãos do Divino Oleiro.
Talvez a resposta mais bonita e mais importante da vida seja, como Maria: “Eis-me aqui!”. Afinal, como escreveu Ermes Ronchi, esse é “o nosso verdadeiro nome. O nome de cada ser humano é ‘eis-me aqui’”.
* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS
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Fonte: Vatican News
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