Moçambique: Bispos aguardam respostas sobre a morte de D. Osório
07 de setembro de 2026
Rogério Maduca - Beira
A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) emitiu um comunicado assinado no dia 4 de setembro, pelo Arcebispo de Nampula e Presidente do organismo, Dom Inácio Saúre, resultante da Assembleia Extraordinária que decorreu no Seminário Filosófico Santo Agostinho (Matola), nos dias 2, 3 e 4 do mês em curso.
Pretendia-se com esta reunião do episcopado moçambicano, refletir sobre a morte violenta e injustificada de Dom Osório Citora Afonso. No comunicado dirigido às comunidades cristãs e a todos os homens e mulheres de boa vontade, os Bispos dizem que a Igreja Católica em Moçambique e no mundo ainda vive com profunda dor e preocupação o assassinato sem precedentes na história do país. E lamenta que, apesar das diligências feitas até ao momento, nada se sabe das autoridades competentes sobre o sucedido.
Questões como: “Quem matou exatamente Dom Osório? – Quem foram os autores morais e materiais desta morte violenta? - Quais seriam as motivações do assassinato?” - continuam sem respostas, passados 3 meses desde o fatídico dia.
A Conferência Episcopal de Moçambique encoraja as autoridades judiciárias, para que o esforço empreendido desde o início em busca da verdade, não pare, para que se tome um caminho de esperança, reconciliação e de purificação capaz de sarar a ferida atroz.
Ao manifestar a sua solidariedade e proximidade com a Diocese de Quelimane, e reconhecendo a complexidade pastoral da mesma, a CEM nomeou dois Bispos que assistem fraternalmente o Administrador Apostólico de Quelimane, Dom Estêvão Ângelo, Bispo de Alto-Molocué.
A morte de Dom Osório, mostra, segundo dizem os Bispos, a fragilidade humana dentro da Igreja, esta que é sempre reformada. E falam ainda sobre a existência de situações e desafios internos, onde a Igreja Católica precisa examinar-se à luz do Evangelho.
O episcopado convida todos à reflexão com relação ao fundamento da construção da vida e missão. E esclarecem que a construção de uma vida orientada para o bem comum, exige de todos, desde os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e os leigos, a edificação da sua relação com Deus sobre a rocha, pois, a Igreja precisa de testemunhas da Boa Nova, que levem a sério e com radicalidade o coração do Evangelho, colocando na base de todas as atividades, antes de todas as ocupações pastorais, a sua relação com Deus e a caridade fraterna.
O comunicado encerra pedindo para que Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz, acompanhe o povo de Deus e ensine a permanecer unidos em Cristo, firmes na fé, perseverantes na caridade e alegres na esperança que não engana.
Na reunião extraordinária da CEM estiveram os membros do mesmo que acabavam também de participar nas cerimónias fúnebres de Dom Januário Machaze, Bispo Emérito de Pemba. Este, juntamente como o também recém-falecido, Cardeal Dom Júlio Langa, era parte da primeira geração dos bispos da era pós-independência de Moçambique. O contributo dessa geração para a consolidação da Igreja Católica em Moçambique é reconhecido pelo episcopado que, por isso mesmo, agradecem a Deus pelo seu testemunho.
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Fonte: Vatican News
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