Koovakad: se a dignidade humana é ameaçada, as religiões façam ouvir sua voz
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Koovakad: se a dignidade humana é ameaçada, as religiões façam ouvir sua voz

11 de setembro de 2026

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

“Continuemos caminhando juntos, para além das tradições, das culturas, das religiões e dos continentes, como portadores de paz e de esperança para o nosso mundo ferido.” E respondamos ao convite do Papa Leão XIV em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas: “Quando a dignidade dos irmãos é desfigurada, quando a política não responde aos dramas da humanidade, quando a economia se volta contra a pessoa ou a ciência ultrapassa os limites do seu método, a Igreja — juntamente com as outras confissões cristãs e com os fiéis de outras religiões — deve fazer ouvir a sua voz, não para dominar, mas para servir à comunhão” (n. 27).Com esse apelo, o cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso, concluiu seu discurso, no centro do encontro inter-religioso “Diálogo na diversidade, caminho compartilhado rumo à fraternidade”, realizado nesta quinta-feira (10/09), em Buenos Aires, na Argentina, no Salão Dourado do Teatro Colón, a partir das 10h, hora local. Foi a primeira intervenção pública de sua visita à capital argentina, que se realiza de 9 a 14 de setembro.

Participaram do encontro, aberto pelo chefe de Governo — isto é, o prefeito — da capital argentina, Jorge Macri, cerca de 60 representantes das diferentes comunidades religiosas locais. Após o discurso do cardeal, estava prevista uma troca de ideias entre os participantes, moderada pela diretora-geral de Cultos, María del Pilar Bosca. O cardeal Koovakad ressaltou que “a religião, em sua essência, fala de conexão” e que, portanto, quando é vivida de maneira autêntica, “fortalece as relações e ajuda as sociedades a prosperarem. E como é urgente, hoje, reafirmar o valor das relações humanas autênticas, relações que se opõem à divisão, à polarização e à indiferença!”.

O objetivo último, recordou o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso, é a paz, “tema central” do pontificado de Leão XIV, que “não é uma promessa abstrata. É uma missão concreta”, um ato de amor “que deve ser realizado todos os dias e em todos os lugares”. Por isso, ressaltou, “somos chamados a ser líderes que constroem pontes e educam para a paz em nossas famílias e comunidades; homens e mulheres que promovem e vivem o diálogo inter-religioso e ecumênico; que cuidam da criação como nossa Casa Comum; que defendem a vida e a dignidade de cada pessoa e protegem, de modo particular, os mais vulneráveis; que trabalham pela liberdade religiosa, pela não discriminação e por uma cultura do encontro”. Um serviço, muitas vezes silencioso, mas perseverante e corajoso, que “já é uma forma concreta de construir aquela paz desarmada e desarmante” da qual fala o Papa.

Ser pessoas de diálogo, reiterou o purpurado indiano, “significa permanecer profundamente enraizados em nossas tradições de fé, cultivando, ao mesmo tempo, a abertura, a escuta atenta e o respeito por aqueles que provêm de contextos diferentes, colocando sempre no centro a pessoa humana, a dignidade humana e a nossa natureza relacional e comunitária”. Na Argentina de Francisco, Koovakad recordou o Papa que teve “a alegria” de acompanhar de perto, um homem “capaz de construir relações e que teve como grande desejo construir uma verdadeira fraternidade humana”. O objetivo do encontro é “valorizar a fraternidade e o diálogo como caminhos para consolidar novos vínculos de respeito recíproco que sejam, ao mesmo tempo, terreno fértil para o florescimento da paz”. A estabilidade e a paz, recorda-nos Leão XIV, não são construídas “com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição e morte, mas unicamente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável”.

Para consolidar a fraternidade, prosseguiu o cardeal, devemos reconhecer “que somos filhos e filhas de um mesmo Pai”, com igual dignidade humana, e compartilhar, como humanidade, “uma aspiração universal à paz”. Devemos reconhecer também que multiplicar os acordos ratificados por compromissos assinados é um caminho que, por si só, não produziu muitos resultados, pois é necessária a disponibilidade para o diálogo, livre de preconceitos e difamações. Para progredir no diálogo inter-religioso, segundo a proposta de Koovakad, é necessário “reconhecer o outro como igual na diferença”, algo que “exige uma mentalidade aberta” e a “capacidade de escutar sem preconceitos”. Para “humanizar a humanidade”, o ponto de partida é reconhecer o outro como “próximo”, admitindo também que existem valores comuns que “facilitam a aproximação”, a fim de “compartilhar conhecimentos e experiências, enriquecer-se mutuamente e assumir compromissos comuns para o bem de todos”.

Como propostas operacionais concretas, o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso recordou a importância dos “grupos inter-religiosos de convivência, que se tornam ‘escolas de diálogo convivial’ e se transformam em ‘cenáculos de fraternidade’, onde se vive a alegria da fé em um Pai que nos torna irmãos e se renova o compromisso com a paz”. O cardeal convidou ainda a falar de um diálogo inter-religioso “desarmado e desarmante”, como extensão daquela paz ensinada pelo Papa Leão. Um diálogo “desarmado” porque começa “pelo desarmamento do próprio coração, esvaziando-o dos condicionamentos discriminatórios, rejeitando imposições e renunciando ao conflito, para se abrir à troca fraterna”. Um diálogo “desarmante” porque aqueles que o vivem “deixam de lado a agressividade e o confronto e escolhem a mansidão, a prudência e a escuta, substituindo a inimizade pela amizade fraterna”.

Por fim, Koovakad falou sobre o diálogo inter-religioso na Argentina, onde esse caminho está ativo há décadas, com algumas experiências iniciadas antes do Concílio Vaticano II, que posteriormente impulsionou o crescimento desse compromisso. Hoje, recordou, “são numerosas as dioceses com áreas dedicadas a esse tema; a Conferência Episcopal Argentina oferece cursos de formação, existem diversos centros formativos e são organizados seminários com frequência; as universidades católicas são atuantes nesse campo e, sem dúvida, há também muita atividade nas redes sociais”.

O cardeal destacou momentos fundamentais, como a intervenção conjunta, em 2002, de dez diferentes e importantes tradições religiosas presentes na Argentina, convocadas pela Comissão Nacional de Justiça e Paz da Conferência Episcopal, no debate público sobre a Lei Nacional da Educação. Um exemplo, assim como a participação do chefe de Governo de Buenos Aires no encontro, de que “por meio de uma convivência cordial, podem-se resolver progressivamente os problemas que dificultam a vida em comum”. Atualmente, uma grande esperança provém da multiplicação dos grupos inter-religiosos na Argentina. Para o Dicastério, será de grande ajuda em sua missão “poder ouvir os desafios, as boas práticas e as ideias de vocês para promover e enriquecer o diálogo entre as diferentes tradições religiosas”.

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Fonte: Vatican News

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