Irmã Chrysologa no Senegal: a “mãe das crianças” de Vélingara
08 de setembro de 2026
Ir. Elena Isachenko
Desde a infância, a Irmã Chrysologa cultivava dois sonhos: tornar-se enfermeira e partir como missionária. Ambos se realizaram na vocação religiosa. Ao entrar na Congregação das Irmãs da Misericórdia de São Carlos Borromeu, além dos três votos religiosos tradicionais, professou, como todas as irmãs de hábito, um quarto voto: o da misericórdia. Um compromisso que se tornou o pilar da vocação missionária.
Desde os primeiros dias passados no continente africano, a religiosa deparou-se com condições de extrema pobreza e com o flagelo da fome, sobretudo entre as crianças. Segundo o Global Nutrition Report , no Senegal, uma em cada 10 crianças com menos de 5 anos sofre de desnutrição aguda e apenas 10% das crianças entre os 6 e os 23 meses recebem uma alimentação adequada. Além disso, 52% das mulheres em idade reprodutiva sofrem de anemia. Consequentemente, mães desnutridas dão à luz crianças com um peso extremamente baixo no nascimento, o que acarreta um aumento do risco de mortalidade infantil. «Quando trabalhava como enfermeira na clínica de Vélingara — conta a Irmã Chrysologa —, as mães vinham muitas vezes ter conosco os seus filhos. As crianças encontravam-se em estado crítico. Depois de ter estado em Kolda, vi um centro para crianças desnutridas que as nossas Irmãs de hábito tinham aberto ali. Percebi que Vélingara também precisava de um centro semelhante».
O dia 13 de setembro de 1993 é uma data que ficou para sempre gravada na memória da religiosa: foi precisamente nesse dia que o Centro para crianças desnutridas de Vélingara iniciou a atividade. Desde o início, o desenvolvimento foi acompanhado por muitos acontecimentos que a Irmã Chrysologa não hesita em definir como milagrosos. «No início, tínhamos apenas duas pequenas salas: uma servia de escritório e armazém, na outra haviam 8 camas. E isso para 30 pessoas que pediam para ser acolhidas!», recorda a missionária. Depois da primeira temporada das chuvas, as instalações ficaram inundadas e tornou-se evidente a necessidade de encontrar uma nova sede. «Fui ter com o presidente da câmara, que me ofereceu um edifício abandonado com um pequeno jardim ao lado. Estava em condições terríveis, mas tinha eletricidade e água. Fiquei feliz».
As Irmãs acolhe mães e crianças não só do Senegal: uma vez por semana chega também um ônibus com pequenos pacientes da Gâmbia {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/agosto/17/sp196-foto1.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Um início difícil No Centro, as crianças recebiam cuidados médicos e uma alimentação adequada. Algumas estavam tão fracas e desidratadas que nem sequer conseguiam chorar e permaneciam num estado de letargia parcial. As religiosas ensinavam às jovens mães como cuidar dos filhos e como alimentá-los. «Dedicamos muito tempo a mudar os hábitos e convicções — conta a Ir. Chrysologa —. Estas mulheres vivem em condições duríssimas, em aldeias sem água potável. Algumas percorriam 100 Km de bicicleta só para chegar até nós». Ao longo dos anos, cerca de 20 mil crianças foram acolhidas no Centro. Infelizmente, algumas eram levadas às religiosas quando já era demasiado tarde. Contudo, com o desenvolvimento da rede rodoviária do país, a situação foi melhorando progressivamente. E, pouco a pouco, também a mentalidade começou a mudar. As mulheres não aprenderam apenas a cuidar dos seus filhos, mas também a reconhecer o valor da própria dignidade.
O novo centro tinha capacidade para acolher até 60 pequenos pacientes juntamente com as mães {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/agosto/17/sp196-foto2.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Coincidências providenciais Deus, na sua Providência, age através das pessoas. «Nem sempre tinha comida suficiente para as crianças — recorda a religiosa —. Mas era precisamente nesses momentos que Deus colocava alguém no meu caminho». Foi assim, por exemplo, que um encontro em França com Michelle Noureux levou à criação da fundação Les enfants de Vélingara , que contribuiu para angariar fundos. «Outra vez, caminhava pela rua e me perguntaram como iria dar de comer às crianças naquele dia. Ainda nos restava algum arroz, mas e depois? O dinheiro estava quase acabando. De repente, duas turistas me chamaram na rua. Começamos a conversar e acompanhei-as ao nosso Centro. Quando viram as crianças, desataram a chorar, deram-nos todo o dinheiro que tinham consigo... e, desde esse dia, nunca mais deixaram de nos apoiar».
A Irmã Chrysologa recorda de muitas crianças, mas há uma história que lhe ficou profundamente gravada no coração. «Um dia, chegou uma mãe muçulmana de 16 anos, pertencente à tribo Konyagi — conta a missionária —. Tinha dado à luz dois gêmeos: o menino tinha morrido, enquanto a menina mal respirava, estava fria e pesava apenas 600 gramas. Entre lágrimas, a mãe sussurrou-me: 'Néné Soukabé, ajuda-me!'. Disse-lhe: 'Rezaremos, tu e eu. Faremos tudo o que pudermos'. Tentei aquecer a recém-nascida e consegui introduzir-lhe uma sonda para a alimentar. A mãe extraía o leite e eu administrava-lhe com uma seringa. Dois meses depois, a pequena pesava três quilos e já podia ser amamentada normalmente. Foi um milagre. Seis anos mais tarde, voltei a ver aquela menina. A mãe apontou para mim e disse-lhe: 'Olha, aquela é Néné Soukabé, foi ela que te salvou'».
Só Deus sabe quantas vidas foram salvas aqui. As religiosas percorriam centenas de quilômetros através do mato para chegar às aldeias mais remotas, realizando no local transfusões de sangue às crianças que corriam o risco de morrer devido à anemia. Graças ao apoio de pessoas de boa vontade, as Irmãs de Borromeu puderam ampliar o Centro e construir uma pequena estrutura para os hóspedes, contribuindo assim para o sustento das atividades. Quando lhe perguntam qual é o seu maior sonho, a Irmã Chrysologa sorri: «Sonho que este Centro possa tornar-se um hospital pediátrico e que no mundo deixem de haver crianças que passam fome».
Cada vida salva é um testemunho do amor infinito de Deus e da solidariedade das pessoas de boa vontade {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/agosto/17/sp196-foto3.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui .
Fonte: Vatican News
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