Curso para novos bispos: a inculturação pode se tornar uma das mais belas formas de evangelização
Vaticano

Curso para novos bispos: a inculturação pode se tornar uma das mais belas formas de evangelização

07 de setembro de 2026

No âmbito do Curso de formação para os novos bispos, organizado pelo Dicastério para a Evangelização (Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares), este ano dedicado ao tema «Servidores da Comunhão na Igreja», Aurelio García Macías, Bispo titular de Rotdon e Subsecretário do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, proferiu, no dia 4 de setembro, uma conferência intitulada «A liturgia no ministério episcopal. Continuidade e novidade na liturgia no contexto da primeira evangelização», dirigida aos 49 bispos recentemente nomeados, reunidos no Pontifício Colégio Missionário «São Pedro Apóstolo».

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O centro da intervenção foi a inculturação litúrgica, uma questão que, para muitas das Igrejas confiadas aos novos bispos, «não é um problema teórico, mas uma questão pastoral cotidiana».

O Subsecretário do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos esclareceu que inculturar «não significa simplesmente introduzir na liturgia elementos da cultura local»: não basta «acrescentar um canto tradicional, introduzir uma dança, utilizar um instrumento musical local ou traduzir um texto». A inculturação, afirmou, «acontece quase “por osmose”, quando o mistério celebrado encontra verdadeiramente uma cultura»: o Evangelho assume aquilo que é «autenticamente humano, verdadeiro, bom e belo» em uma cultura, mas, ao mesmo tempo, a purifica e transforma, porque «nenhuma cultura é o Evangelho».

«Isso vale para as culturas africanas, asiáticas, latino-americanas ou oceânicas, mas vale também para a cultura europeia», acrescentou, recordando que «toda cultura precisa ser evangelizada. Toda cultura contém semina Verbi [sementes do Verbo], mas toda cultura também traz as feridas do pecado. Por isso, o Evangelho acolhe e purifica, assume e transforma, confirma e corrige, eleva e, quando necessário, pede uma ruptura».

O prelado indicou três riscos que devem ser evitados: a inovação desnecessária, recordando que, segundo a Sacrosanctum Concilium , não devem ser introduzidas inovações «a não ser que uma verdadeira e certa utilidade da Igreja o exija» (cf. SC 23); o sincretismo, «particularmente delicado nos territórios onde as religiões tradicionais continuam culturalmente muito presentes»; e o folclore, pois «a liturgia não é uma representação cultural» e «um elemento cultural entra na liturgia não porque é pitoresco, mas porque pode servir ao mistério celebrado».

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O Subsecretário recordou que a inculturação «não pode ser improvisada, não pode ser decidida com base em uma única celebração bem-sucedida e não pode depender do entusiasmo de um sacerdote (bispo ou presbítero) ou de um grupo. Exige reflexão, oração, experiência, avaliação e amadurecimento na fé».

É preciso ter sempre presente — destacou o bispo espanhol — que «quando celebramos a Eucaristia na menor aldeia de uma diocese missionária, aquela celebração é ação da Igreja universal. Aquela pequena comunidade não está isolada: está em comunhão com seu bispo e, por meio do bispo, com o colégio episcopal e com o Sucessor de Pedro, como se lê na Oração Eucarística quando são mencionados o Papa e o bispo. A liturgia torna visível essa comunhão».

No que diz respeito à liturgia e aos processos de inculturação, a tarefa do bispo — esclareceu García Macías — não é ser o «policial da liturgia», mas ser ele próprio «liturgista por excelência» em sua Igreja particular, tendo «a coragem tanto de promover aquilo que é autenticamente útil quanto de frear aquilo que ainda não está maduro», porque «nem toda prudência é medo, e nem toda inovação é coragem».

A inculturação pode se tornar uma das formas mais belas de evangelização, «quando permite que um povo reconheça que Cristo não lhe é estranho», acrescentou. «O Evangelho não destrói aquilo que é autenticamente humano, mas o conduz à sua plenitude». Por isso, a inculturação exige «pastores capazes de discernir».

«Não podemos ter medo das culturas, mas também não podemos idealizá-las. Não podemos ter medo da diversidade, mas não podemos sacrificar a comunhão. Não podemos sufocar a criatividade autêntica do Espírito, mas não podemos confundi-la com a arbitrariedade. Não podemos transformar a liturgia em um museu de formas imutáveis, mas também não podemos transformá-la em um laboratório permanente».

Entre esses «extremos» — concluiu o bispo García Macías — situa-se «a tarefa difícil e belíssima do bispo». E são necessárias «prudência», «competência» e «comunhão», mas, sobretudo, «fé». Porque, «no fim, a liturgia não é obra nossa. É Cristo que continua a agir em sua Igreja».

*Agência Fides

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Fonte: Vatican News

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