Cultura da Vida: a vida é sempre um bem
Vaticano

Cultura da Vida: a vida é sempre um bem

10 de setembro de 2026

Vatican News

Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje queremos refletir sobre uma afirmação muito simples, mas ao mesmo tempo muito abrangente, e por isso mesmo somos chamados a compreender melhor: a vida é sempre um bem.

Essa expressão foi utilizada por São João Paulo II na encíclica Evangelium vitae e, em 2025, tornou-se também o título de um importante documento publicado pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, intitulado: A Vida é sempre um bem: iniciar processos para uma Pastoral da Vida Humana.

Mas o que significa dizer que a vida é sempre um bem?

É fácil reconhecer a vida como um bem quando tudo está indo bem. Quando nasce uma criança muito esperada, quando se tem saúde, quando a família está unida, quando conseguimos trabalhar e realizar nossos projetos. A questão se torna mais difícil quando a vida vem acompanhada de sofrimento ou dificuldades.

Uma gravidez inesperada continua sendo um bem? A vida de uma criança que recebeu um diagnóstico de deficiência continua sendo um bem? A vida de uma pessoa que perdeu sua autonomia por causa de um acidente continua sendo um bem? E a vida de um idoso que depende completamente dos outros para comer, tomar banho ou se locomover?

Dizer que a vida é sempre um bem significa que a pessoa é sempre um bem, mesmo que haja dificuldades ou sofrimentos. Quando não há essa clareza, podemos começar a acreditar que, para eliminar o sofrimento, seria aceitável eliminar aquele que sofre. Assim surgem muitos problemas bioéticos.

Podemos pensar, por exemplo, em uma mulher que descobre uma gravidez em circunstâncias muito difíceis. Talvez esteja sem apoio, tenha problemas financeiros, esteja enfrentando uma crise no relacionamento. Esses problemas são reais e não devem ser minimizados. Mas existe uma diferença enorme entre tentar eliminar o problema e eliminar a pessoa.

A criança que começou a existir não se transforma em um mal porque sua chegada aconteceu em um momento difícil. É justamente por isso que o Catecismo da Igreja Católica ensina, no número 2270, que a vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta desde a concepção. Desde o primeiro instante de sua existência, aquele novo ser humano possui o direito à vida.

Portanto, diante de uma gravidez difícil, a resposta verdadeiramente humana não pode ser eliminar a criança. Precisamos perguntar: como podemos ajudar a mulher e o bebê? É assim que uma cultura da vida responde ao sofrimento: não eliminando quem sofre, mas aproximando-se dele e buscando soluções que tragam vida, não morte.

Isso se aplica ao outro extremo da vida humana. Imagine um idoso enfermo, dependente dos filhos ou de profissionais para praticamente tudo. Em uma cultura que mede o valor das pessoas pela produtividade e pela autonomia, alguém pode começar a pensar: “Que sentido ainda tem essa vida?” A vida de um idoso já não é mais um bem?

Essas questões partem de um pressuposto errado. O valor daquela pessoa nunca esteve naquilo que ela consegue produzir. Quando trata do problema da eutanásia, o Catecismo diz que aqueles cuja vida está enfraquecida merecem um respeito especial e que as pessoas doentes ou com deficiência devem receber apoio para levar uma vida tão normal quanto possível (CIC 2276).

Ou seja, a nossa resposta diante das dificuldades e sofrimentos das pessoas deve envolver cuidado, presença, alívio do sofrimento, companhia, oração e amor. E isso é tarefa não somente dos médicos, dos especialistas em bioética ou dos sacerdotes, mas também das famílias, das paróquias, dos catequistas, dos professores, dos profissionais de saúde, das pastorais e de cada cristão.

Defender a vida envolve nos posicionarmos contra o aborto, contra a eutanásia e contra todas as formas de banalização da vida, mas envolve também desenvolvermos uma maneira diferente de olhar para as pessoas. São João Paulo II explica na Evangelium vitae que a vida humana é sempre um bem porque ela manifesta Deus no mundo, sendo sinal da sua presença e vestígio da sua glória (EV 34). Ou seja, quando olhamos para uma pessoa, independentemente de sua condição, estamos diante de alguém criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, a dignidade não vai aumentando enquanto a pessoa cresce, e não diminui enquanto a pessoa envelhece ou enfrenta dificuldades e sofrimentos.

Daqui a poucas semanas, entre os dias 1º e 8 de outubro, a Igreja no Brasil celebra a Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro. É uma excelente oportunidade para nossas famílias, comunidades e paróquias recuperarem essa verdade tão simples e, ao mesmo tempo, tão necessária para os nossos tempos. A vida não é um bem somente quando tudo acontece conforme planejamos. A vida é sempre um bem.

Este foi mais um Espaço Cultura da Vida. Um grande abraço a todos e até a próxima!

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Fonte: Vatican News

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