Castel Gandolfo, a presença dos Papas, entre o cuidado da terra e o carinho pela comunidade
Vaticano

Castel Gandolfo, a presença dos Papas, entre o cuidado da terra e o carinho pela comunidade

06 de setembro de 2026

Antonella Palermo – Vatican News

Houve grande celebração na noite de sábado, 5 de setembro, em Castel Gandolfo, onde os cidadãos se reuniram para a solene celebração eucarística em honra de seu padroeiro, São Sebastião. Presidida por monsenhor Angelo Pennazza, vigário episcopal e pároco de São José, em Pavona, a cerimônia concluiu-se com a procissão das relíquias. Na tarde deste domingo, 6 de setembro, se realiza a procissão histórica, com trajes do século XVII e cerca de trinta participantes, recria a atmosfera de quatro séculos atrás, quando a entrada do Papa Urbano VIII numa carruagem inaugurou a residência papal de verão na cidade do Lácio. Uma celebração especial, portanto, foi organizada — em conjunto com a prefeitura, a paróquia pontifícia e o historiador local Luciano Mariani — para esta ocasião especial.

Quem conta a história desses lugares, tão queridos por tantos Papas, à imprensa vaticana é o padre Tadeusz Rozmus, pároco de São Tomás de Villanova, a igreja situada ao lado do Palazzo Barberini, cujo terraço oferece a mesma vista espetacular que o Papa aprecia: o Monte Cavo, um cone vulcânico adormecido há dez mil anos, que, com quase mil metros de altura, é a segunda montanha mais alta dos Montes Albanos, no Parque Regional Castelli Romani, e domina o magnífico Lago Albano.

Em 1596, sob o pontificado do Papa Clemente VIII, a Câmara Apostólica confiscou o feudo e o castelo da família Savelli, que tinha acumulado uma grande dívida. Urbano VIII incorporou-o e o reestruturou entre 1624 e 1626, segundo um projeto de Carlo Maderno, tornando-o a histórica residência de verão de muitos papas. Conta-se que, naquele 10 de outubro de 1626, Roma testemunhou uma salva de canhões ao amanhecer e uma procissão papal com carruagens acompanhou a entrada do Papa em Castel Gandolfo. Um lugar de grande beleza natural, já particularmente atraente para os imperadores romanos, tornou-se um local onde se podia respirar ar puro, aliviando-se do calor romano. Alexandre VII nutria um amor extraordinário por estas terras, recorda o padre polonês: "Ele trouxe tanta inovação para cá, construiu a igreja de São Tomás de Villanova, que ele mesmo consagrou em 1661, no local de uma pequena igreja pré-existente dedicada a São Nicolau. Na época, os agostinianos eram responsáveis ​​pela pastoral, depois chegaram os salesianos. Diz-se também que ele foi o primeiro a trazer para cá uma chamada brigantina, um veleiro de dois mastros (ndr), e que navegou pelo lago a bordo dela." O Papa Alexandre VII, explica ainda o padre, também foi responsável por uma profunda transformação da região, como, por exemplo, ter convidado Gian Lorenzo Bernini para valorizar o prestígio artístico das obras instaladas dentro e fora da residência.

O pároco de Castel Gandolfo admira o Lago Albano {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/05/c0116-mp4-13-52-43-22-immagine001.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} O Lago Albano e suas trilhas na mata, revigorando o corpo e o espírito Florestas de faias, castanheiros e carvalhos cobrem a montanha, e trilhas pitorescas se estendem ao redor do lago. Até os papas já caminharam por lá, e o padre Tadeuzs costuma passear por ali: "Dizem que movimento é o melhor remédio. E ter este belo lago sem poder nadar seria uma pena! Devemos aproveitar a beleza da natureza de forma positiva." Assim, no início do Tempo da Criação (cinco semanas que antecedem a festa de São Francisco de Assis, que nos convida a tomar medidas concretas para cuidar da nossa Casa comum), o pároco relembra algumas histórias relacionadas a este pequeno paraíso, contando como ele atravessa as águas, que chegam a 200 metros de profundidade, de uma margem à outra, para revigorar o corpo e o espírito. Afinal, é isso que os muitos turistas que vêm a este lugar procuram: "Muitos, até mesmo os que não creem, param de bom grado na igreja. É uma fonte de renovação. Estamos abertos a todos. Talvez estejam longe da fé, mas ficam felizes em parar e talvez até rezar." Entre eles, estão milhares de motociclistas, que também compartilham com ele sua paixão pelas duas rodas: o padre Rozmus viajou por toda a Europa em sua moto, e uma de suas lembranças mais queridas, confidencia ele, foi a peregrinação do Jubileu organizada para eles durante o último Ano Santo.

A comunidade local absorveu profundamente a presença dos pontífices em Castel Gandolfo e, além do orgulho que muitos expressam pelo que consideram um verdadeiro privilégio, desenvolveu ao longo do tempo um carinho especial e um desejo de fortalecer o senso de fraternidade e proximidade recíproca. Aprenderam isso com alguns papas em particular: alguns contam, por exemplo, de um João XXIII que entrava nas casas das famílias, abria as tampas das panelas, ia até a cozinha para ver se precisavam de ajuda e se podiam alimentar toda a família, sempre pronto a oferecer apoio pessoal. Entre uma cavalgada e outra — típica de papas como Urbano VIII, Clemente XIV e Leão XIV — ouvir os moradores e peregrinos e encontrar-se com as pessoas foi um canal importante para muitos Sucessores de Pedro: "Quando os papas começaram a vir para cá, não pensavam apenas em si mesmos. Pensavam também na população local, cujo número aumentava gradualmente, com o desenvolvimento da infraestrutura ao redor, com um fluxo cada vez maior de famílias e a construção de um grande número de novas casas."

A residência papal na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo {"@context": "http://schema.org","@type": "ImageObject","contentUrl": "https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2026/settembre/05/foto-4.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg","creditText": "Vatican News","height": "750","width": "422"} A promoção do território pelos pontífices Paulo VI fez muito por esta área, e João Paulo II fez o mesmo, destaca o padre Tadeusz. Outros pontífices preferiram não se mudar para Castel Gandolfo: Inocêncio X está entre eles. O Francisco permaneceu em grande parte na Santa Marta, mas essa ausência das Vilas Pontifícias não significou um distanciamento do cuidado com o patrimônio ambiental. Muito pelo contrário, como sabe. De fato, foi precisamente sua intuição que levou à criação do Borgo Laudato si', inaugurado oficialmente há um ano. Seu foco é justamente a educação em ecologia integral e fraternidade. Esta propriedade de 55 hectares agora se ergue no local da antiga vila de Domiciano, que originalmente a escolheu por seu microclima único. Uma maravilha a sua manutenção, confiada a jardineiros e trabalhadores que garantem sua aparência singular; nada parecido com o estado de abandono em que a área se encontrava por mais de sessenta anos na época da queda do Estado Pontifício com a unificação da Itália. Naquela época, era necessário aguardar o retorno de Pio X à Villa Barberini.

Hoje, apresenta-se como um centro constantemente ativo, de onde o Papa Leão, amado por sua proximidade com as pessoas, continua acompanhando as atividades vaticanas, além de oferecer um espaço para descanso e esportes. É um local aberto a visitas diplomáticas e audiências privadas, de onde o Papa reza o Ângelus aos domingos e preside liturgias. Um espaço vital. "A chegada do Papa Leão XIV", enfatiza o sacerdote, "traz uma beleza humana, muito próxima das pessoas, muito acessível." É comovente recordar, o pároco salesiano deu a sugestão, o dia em que, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, Pio XII abriu as portas dos Jardins Vaticanos para acolher pessoas deslocadas: "Estamos falando de 12 mil pessoas. E no Palácio Apostólico, no próprio quarto do Papa, segundo fontes, nasceram 36 crianças, incluindo gêmeos. A mãe delas", comenta o padre Rozmus, "quis expressar sua gratidão pela hospitalidade e pelo carinho do Papa, e por isso lhes deu os nomes de Eugênio Pio e Pio Eugênio, em homenagem ao Bispo de Roma."

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Fonte: Vatican News

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