Alemanha e Rússia elevam o tom após incidente envolvendo drones em Leipzig
02 de setembro de 2026
Vatican News
As relações entre Alemanha e Rússia atravessam um novo momento de forte tensão depois que uma investigação sobre o incidente com drones no aeroporto de Leipzig/Halle levou o governo alemão a responsabilizar Moscou pela operação. O episódio ocorreu em 4 de agosto, quando uma aeronave não tripulada carregada com explosivos foi encontrada nas proximidades de aviões de carga ucranianos estacionados no aeroporto.
Segundo as autoridades alemãs, informações de inteligência e investigações policiais apontam para a participação de pessoas que teriam agido a mando de estruturas estatais russas. Investigações divulgadas nesta quarta-feira indicam ainda que os investigadores identificaram suspeitos com ligações com a Rússia e encontraram vestígios de DNA associados a diferentes locais e bases de dados europeias.
Berlim considera o caso parte de um padrão mais amplo de operações híbridas russas na Europa, que incluiria sabotagem, espionagem, ataques cibernéticos e ações contra infraestruturas críticas. Diante das acusações, o governo do chanceler Friedrich Merz anunciou medidas contra Moscou, entre elas o fechamento do consulado-geral russo em Bonn e o encerramento do acordo relativo ao chamado Russian House em Berlim, além de defender novas sanções europeias. A União Europeia também passou a discutir uma resposta conjunta, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o ataque frustrado apresentava características de uma ação patrocinada por um Estado.
Somente em 2025, foram registrados nada menos que 320 tentativas de sabotagem contra infraestruturas físicas, como a ocorrida em 3 de outubro passado, quando drones não autorizados interromperam o tráfego aéreo sobre o aeroporto de Munique, deixando mais de 10 mil passageiro s em terra.
No mesmo ano, os serviços de combate à criminalidade cibernética identificaram 334 mil casos de ataques virtuais, em sua maioria atribuídos a organizações de hackers ligadas aos serviços de inteligência e a outras entidades estatais da Rússia. O prejuízo econômico causado à economia alemã por essas incursões foi estimado em cerca de 200 bilhões de euros . Entre os alvos preferenciais estão os sistemas de controle do tráfego aéreo, que foram alterados e submetidos a sobrecarga, gerando graves riscos à segurança.
Mas não é só isso. Como e até mais do que em outros países, o GRU, a inteligência militar russa, realizou sofisticadas operações de desinformação destinadas a influenciar os processos eleitorais alemães nos níveis federal, regional e local, buscando polarizar a opinião pública em torno da ajuda à Ucrânia.
Que essas atividades não ocorram em um vazio político fica evidente na linha política e nas promessas da Alternative für Deutschland ( AfD), o partido da ultradireita nacionalista que as pesquisas apontam como favorito nas eleições do próximo domingo em Saxônia-Anhalt e que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de âmbito nacional.
Moscou, por sua vez, nega categoricamente qualquer responsabilidade e acusa Berlim de promover uma provocação e uma campanha antirrussa. O presidente Vladimir Putin classificou as medidas alemãs como um “grave erro” e afirmou que as acusações se baseariam em provas forjadas, enquanto autoridades russas advertiram para possíveis medidas de retaliação. O episódio amplia uma deterioração que já vinha ocorrendo desde o início da guerra na Ucrânia e coloca a Alemanha diante de um dilema: responder com firmeza ao que considera uma ameaça híbrida russa sem permitir que a escalada ultrapasse o campo diplomático e econômico. O caso de Leipzig, portanto, tornou-se mais do que uma investigação criminal: passou a ser um novo ponto de confronto direto entre Berlim e Moscou.
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Fonte: Vatican News
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