
Segundo episódio do podcast “Discernimento Católico” aborda participação e cidadania nas eleições de 2026
27 de agosto de 2026
A participação dos cristãos na vida política e a responsabilidade cidadã para além do voto são os temas centrais do segundo episódio do podcast “Discernimento Católico – Eleições 2026”, produzido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A edição conta com as reflexões do bispo de Araguaína (TO) e presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, dom Giovane Pereira de Melo, e da assessora da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB, Alessandra Miranda.
Apresentada pelo jornalista Luiz Lopes Júnior, a série aprofunda temas da Mensagem ao Povo de Deus por ocasião das Eleições de 2026 , aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB, em junho deste ano. Depois de abordar, no primeiro episódio, o que diz a Doutrina Social da Igreja sobre a política, a nova edição propõe uma reflexão sobre participação e cidadania, destacando a corresponsabilidade dos cristãos na construção da democracia e do bem comum.
Assista na íntegra:
Durante o podcast, dom Giovane ressalta que o voto não deve ser compreendido como um ato meramente individual, mas como parte de um compromisso mais amplo com a sociedade. Para o bispo, o período eleitoral exige dos cidadãos conhecimento da realidade, diálogo, discernimento e atenção às propostas apresentadas pelos candidatos e partidos.
“Quando nós pensamos em eleições, nós devemos compreender que o exercício do voto, o exercício democrático das eleições, não é um ato individual”, afirma.
O presidente da Comissão para o Laicato também destaca que o exercício da cidadania continua depois da escolha dos representantes. Isso significa acompanhar os eleitos, fiscalizar sua atuação, cobrar compromissos e participar dos diferentes espaços da vida pública.
“A gente não exerce a democracia e a boa política apenas no período eleitoral. A gente exerce nas políticas públicas, nos conselhos de políticas públicas, no dia a dia”, reforça dom Giovane.
A participação das mulheres na política também está entre os assuntos abordados no episódio. Alessandra Miranda chama a atenção para a importância de ampliar o protagonismo feminino tanto no processo eleitoral quanto nos demais espaços de construção das políticas públicas.
Segundo a assessora, a participação cidadã precisa considerar as diferentes experiências presentes na sociedade, entre elas as das mulheres e das juventudes. No caso das mulheres, Alessandra recorda a trajetória de conquista do direito ao voto e os desafios que ainda permanecem para ampliar sua presença nos espaços de decisão política.
“De maneira geral, a participação da mulher, assim como de todas as pessoas, de todos os cidadãos, é muito importante para o processo eleitoral e democrático para o país”, afirma.
Para Alessandra, o discernimento eleitoral também deve ser orientado por uma pergunta fundamental: qual projeto de sociedade queremos construir? A resposta, segundo ela, passa pelo conhecimento de temas que interferem diretamente na vida da população, como saúde, educação, habitação, direito à cidade, economia e políticas públicas.
“Não basta ter o direito ao voto, mas qual é o caminho de consciência cidadã que a gente constrói com os leigos, com os outros grupos da Igreja, com todos os cristãos, com todas as pessoas que se comprometem com a cidadania para dar uma resposta qualificada”, explica.
O episódio apresenta ainda iniciativas voltadas à formação política e cidadã dos cristãos. Entre elas está o projeto “Encantar a Política”, construído com a participação de diferentes entidades e organismos e que reúne conteúdos destinados à formação da consciência crítica e ao exercício responsável do voto.
Dom Giovane também apresenta o subsídio “ Encontros de Reflexão e Oração sobre as Eleições 2026 ”, preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP). O material foi desenvolvido para encontros em famílias, comunidades, pastorais e movimentos e propõe uma reflexão sobre cidadania, democracia, participação popular e o processo eleitoral a partir do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.
“É um texto reflexivo, é um texto orante, um texto participativo, popular”, resume o bispo. Segundo ele, a proposta é fazer com que os conteúdos da formação política cheguem também às comunidades e contribuam para a formação da consciência cidadã.
Alessandra Miranda destaca que a Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora também tem incentivado processos formativos voltados às eleições. Entre as iniciativas estão ações desenvolvidas pelas pastorais sociais e quatro lives que serão realizadas a partir de setembro, com a participação das articulações das Pastorais do Campo, da Mobilidade Humana, das Pastorais Urbanas e do cuidado com a vida e a saúde integral.
A proposta é apresentar pautas relacionadas a cada uma dessas áreas e contribuir para que os eleitores avaliem os compromissos dos candidatos com questões que afetam diretamente a população.
Outro ponto destacado no podcast é a atuação nos conselhos de políticas públicas. Alessandra ressalta que esses espaços permitem a participação da sociedade civil na discussão, formulação, acompanhamento e fiscalização das políticas públicas.
“Os conselhos de direito são fundamentais para a construção da democracia”, afirma. Segundo ela, a presença da sociedade nesses espaços possibilita acompanhar decisões sobre recursos públicos e contribuir para a definição das políticas que chegam à população.
A assessora também chama a atenção para a relação entre as escolhas feitas nas eleições e o fortalecimento ou enfraquecimento desses mecanismos de participação social. Por isso, o compromisso cidadão, segundo ela, não deve ficar restrito ao período eleitoral.
Ao final de sua participação, dom Giovane dirige uma mensagem especialmente aos cristãos leigos e leigas que disputam cargos eletivos. O bispo reforça a importância do conhecimento da Doutrina Social da Igreja e da defesa de princípios como a dignidade humana, a justiça, o diálogo, a solidariedade, a cultura do encontro e o bem comum.
Ele também destaca que as diferenças políticas não devem transformar adversários em inimigos:
“É preciso entender que o meu adversário político não é meu inimigo, que nós precisamos construir democracia na diversidade”, afirma.
O segundo episódio termina com uma oração do subsídio “ Encontros de Reflexão e Oração sobre as Eleições 2026 ”, que pede coragem para que os cristãos sejam “poetas sociais e construtores da paz”.
O “Discernimento Católico – Eleições 2026” seguirá, nos próximos episódios, aprofundando aspectos da mensagem da CNBB ao Povo de Deus e oferecendo elementos para a reflexão e o discernimento dos católicos durante o período eleitoral.
Fonte: CNBB
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