Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?
19 de agosto de 2026
Dom Diamantino Prata de Carvalho Bispo Emérito da Campanha (MG)
A liturgia deste XXI Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante de uma das perguntas mais cruciais de todo o Evangelho. Jesus leva os seus discípulos para a região de Cesaréia de Filipe, um território marcado pela diversidade cultural, política e religiosa da época, e lança um questionamento que ecoa através dos séculos até ao coração de cada um de nós hoje.
A primeira pergunta de Jesus é ampla e confortável: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Os discípulos respondem com facilidade, citando a opinião pública: alguns dizem que é João Batista, outros Elias, Jeremias ou um dos profetas. É fácil falar do que os outros pensam. É cômodo tratar Jesus como uma figura histórica admirável, um grande mestre de moral ou um profeta do passado. No entanto, Jesus não se contenta com o conhecimento de “segunda mão”. Ele volta-se diretamente para a comunidade dos doze e faz a pergunta decisiva: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Neste momento, a conversa deixa de ser teórica. Jesus exige uma tomada de posição pessoal e comunitária. Não se trata de repetir definições do catecismo ou fórmulas decoradas, mas de manifestar a experiência viva do encontro com Ele. Diante do silêncio dos outros, Simão toma a palavra e professa: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!” Jesus declara que essa resposta não veio do conhecimento humano, da “carne ou do sangue”, mas de uma iluminação concedida pelo Pai do céu. A verdadeira fé não é mero esforço intelectual; é um dom de Deus acolhido no coração humano.
Em resposta a essa profissão de fé, Jesus dá a Simão um novo nome e uma nova missão: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.” Aqui vemos a profunda conexão entre a liturgia de hoje e a primeira leitura (Is 22, 19-23), onde Eliacim recebe as chaves da casa de Davi. Em Jesus, o poder das chaves é confiado a Pedro, estabelecendo o ministério da unidade, do serviço e da autoridade na Igreja.
A promessa de Cristo é firme: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A Igreja, edificada sobre a rocha da fé professada por Pedro, atravessa tempestades, crises e perseguições ao longo da história, não por causa da perfeição dos seus membros humanos, mas porque sustentada pela fidelidade inabalável do seu Senhor.
Irmãos e irmãs, a pergunta que Jesus fez a Pedro ecoa hoje neste altar: “Para você, quem eu sou?” Se Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Ele é o Senhor dos nossos relacionamentos, das nossas escolhas financeiras, dos nossos projetos e dos nossos momentos de dor? A nossa fé é apenas uma tradição herdada da família ou tornou-se um encontro pessoal e transformador com a pessoa de Jesus?
A resposta a esta pergunta não se dá apenas com palavras, mas com a própria vida. Declarar que Jesus é o Senhor significa permitir que Ele guie nossos passos, perdoe nossas falhas e renove a nossa esperança todos os dias. Como nos lembra São Paulo na segunda leitura de hoje (Rm 11, 33-36), diante do mistério da sabedoria de Deus, só nos resta a adoração e a entrega: “Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória pelos séculos! Amém.”
Que a celebração desta Eucaristia nos dê a graça de renovar a nossa profissão de fé com a mesma coragem e amor de Pedro, para que sejamos, no mundo, pedras vivas da edificação do Reino de Deus. Amém.
Fonte: CNBB
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