
Quarto Podcast “Discernimento Católico” aborda democracia e desafios da política no Brasil
10 de setembro de 2026
A democracia, a importância das instituições, a participação cidadã e a confiança no processo eleitoral brasileiro estão entre os temas do quarto episódio da série de podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”. A iniciativa aprofunda os principais pontos da mensagem dos bispos ao Povo de Deus por ocasião das Eleições de 2026 , aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Neste episódio, dedicado ao tema “Democracia e desafios da política no Brasil”, participam o frei Jorge Luiz Soares, assessor de Relações Institucionais e Governamentais da CNBB; Melillo Diniz, perito do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Thierry Linard e representante da CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE); e Jardel Neves Lopes, secretário-executivo do Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP).
Confira abaixo:
Ao refletir sobre o Estado Democrático de Direito, frei Jorge Luiz Soares destaca que a organização política brasileira está fundamentada em leis e, especialmente, na Constituição Federal. Nesse modelo, explica, o poder não pertence a uma única pessoa ou grupo, mas deve ser exercido dentro de uma estrutura institucional e jurídica.
“Quando se reivindica a identidade do Brasil como Estado Democrático de Direito, significa dizer que ele tem uma Constituição, que ele tem normas, que ele tem leis a partir das quais é regida a vida política da nossa nação”, afirma.
Frei Jorge também chama a atenção para o fato de que a participação democrática não termina no voto. Depois das eleições, é necessário acompanhar a atuação daqueles que foram escolhidos pela população, tendo como horizonte a dignidade humana e a promoção do bem comum.
Nesse processo, segundo ele, as instituições governamentais, jurídicas e da sociedade civil exercem papel fundamental no acompanhamento da vida pública. Por isso, mesmo diante de crises e questionamentos sobre a atuação de pessoas que ocupam determinadas funções, é necessário distinguir os agentes das próprias instituições.
“As instituições são permanentes, são estáveis, ultrapassam as pessoas que as ocupam no momento atual”, ressalta. Para frei Jorge, preservar e valorizar as instituições é indispensável para uma sociedade que se reconhece como um Estado Democrático de Direito.
Melillo Diniz observa que problemas como desigualdade, corrupção, compra de votos, desinformação e abusos de poder fazem parte dos desafios históricos enfrentados pelo sistema político brasileiro. Para ele, as eleições de 2026 representam uma oportunidade para fortalecer a democracia e ampliar a participação cidadã.
“A democracia é sempre um processo de amadurecimento”, afirma. Ao recordar o processo de redemocratização do país e a Constituição Federal de 1988, Melillo destaca que a cidadania envolve direitos, mas também responsabilidades.
Inspirado no conceito da filósofa Hannah Arendt de cidadania como “o direito a ter direitos”, ele acrescenta a dimensão dos deveres e defende que a participação política deve ser compreendida também como responsabilidade do cidadão e do cristão.
“Um dos principais deveres do cidadão, mas também do cristão, é o dever da participação política”, afirma. Nesse sentido, Melillo ressalta a importância de superar o desencanto com a política e participar de forma consciente, inclusive por meio da escolha criteriosa dos candidatos.
Representante da CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Melillo também recorda a atuação histórica da sociedade civil no aprimoramento da legislação eleitoral brasileira. Entre as iniciativas, cita a mobilização contra a compra de votos e o processo que resultou na Lei da Ficha Limpa.
Ele também destaca a atuação de organizações da sociedade civil na observação das eleições e a existência de comitês voltados ao combate à compra de votos e à corrupção eleitoral, que acompanham situações relacionadas a abusos de poder econômico, político e religioso.
Segundo Melillo, essas iniciativas demonstram que o fortalecimento da democracia não depende apenas das instituições públicas, mas também do envolvimento organizado da sociedade civil no acompanhamento do processo eleitoral.
Outro ponto abordado no episódio é a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, destacada pelos bispos na mensagem para as eleições deste ano.
Melillo alerta para a disseminação de desinformação em períodos eleitorais e defende que cristãos e cidadãos tenham compromisso com a verdade. A partir de sua experiência como advogado eleitoral e observador de eleições, ele avalia que o sistema brasileiro passou por um amplo processo de aperfeiçoamento ao longo das últimas décadas.
“Nós temos um dos sistemas mais avançados do mundo”, afirma. Melillo destaca mecanismos como a identificação biométrica, a rapidez na votação e na apuração e os procedimentos de auditoria e fiscalização realizados por diferentes instituições.
Para ele, a segurança do processo é fundamental para assegurar que a escolha do eleitor seja respeitada e para fortalecer a democracia. “Essa festa da democracia tem que ser vivida com muito orgulho por todos nós brasileiros e, especialmente, por nós católicos, vivendo a verdade e trazendo a nossa participação política e cidadã”, afirma.
O episódio também apresenta o subsídio “ Encontros de Reflexão e Oração para as Eleições de 2026 ”, preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP). O secretário-executivo do organismo, Jardel Neves Lopes, explica que o material foi elaborado para auxiliar comunidades e grupos a refletirem, dialogarem e rezarem sobre a participação cidadã no contexto eleitoral.
“Esse subsídio foi pensado exatamente para ajudar as pessoas a refletirem, conversarem e rezarem sobre o processo de participação cidadã, de modo muito especial nas eleições de 2026”, explica.
O material reúne nove temas e articula a análise da realidade com a iluminação bíblica e os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja. Também propõe a utilização da Conversação no Espírito como método para favorecer a escuta, o diálogo e o discernimento sobre questões relacionadas à vida política.
Segundo Jardel, a proposta ganha relevância em um contexto marcado por dificuldades de diálogo e pela polarização em torno da política. “Quando propomos e conseguimos conjugar tudo isso em espaços de pequenos grupos para o diálogo, essa iniciativa se torna uma riqueza muito grande em nosso contexto social”, destaca.
Para ele, a reflexão conjunta pode ajudar os cristãos a compreenderem melhor sua responsabilidade na construção do futuro do país e a assumirem compromissos concretos com a cidadania e a democracia.
O episódio termina com uma oração conduzida por Jardel:
“Que o Deus da vida e da história mantenha sempre viva a chama da esperança na construção do Reino. Dê força, coragem e ânimo na missão de levar a consciência política e a maturidade na fé”.
A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” aprofunda, a cada episódio, diferentes aspectos da mensagem dos bispos ao Povo de Deus para o período eleitoral, oferecendo elementos para a reflexão e o discernimento dos católicos diante das eleições deste ano.
Fonte: CNBB
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