CNBB

Onde há cuidado, Deus abre caminhos

11 de setembro de 2026

Dom Luiz Antonio Cipolini Bispo de Marília (SP)

Há momentos em que Deus nos permite contemplar, de maneira muito concreta, a beleza de uma Igreja que acolhe e cuida. Foi com esse sentimento que recebemos, em nossa Diocese, as Irmãs da Fraternidade “O Caminho”, que chegaram a Junqueirópolis para servir no Lar Santa Teresinha.

A presença delas entre nós é motivo de alegria e gratidão. A Vida Religiosa Consagrada é um dom precioso para a Igreja. Homens e mulheres deixam casa, família e tantos projetos pessoais para responder ao chamado de Deus e fazer da própria existência uma oferta. Por meio de sua consagração, recordam a todos nós que vale a pena entregar a vida por Jesus Cristo e pelo seu Reino.

No Lar Santa Teresinha, essa entrega ganha um rosto muito concreto. Ali estão mulheres que percorrem o difícil caminho da recuperação da dependência química e precisam encontrar não apenas tratamento, mas mãos estendidas, escuta, disciplina, oração e, sobretudo, esperança. Como recordei na celebração de acolhida das Irmãs, aquele deve ser sempre um lugar de perdão, de recomeço e de caminho novo.

A dependência pode ferir profundamente uma pessoa, sua família e seus vínculos. Entretanto, nenhuma ferida pode nos fazer esquecer a dignidade de um filho ou de uma filha de Deus. Por isso, a Igreja não pode olhar de longe para quem sofre. Somos chamados a nos aproximar, sentar juntos, escutar e ajudar cada pessoa a se levantar. Ninguém deve caminhar sozinho.

É muito significativo que religiosas consagradas assumam essa missão. Na simplicidade do cotidiano — na hora da comida, do abraço, da orientação, da oração e da vida fraterna — elas poderão dizer, muitas vezes sem palavras: “Deus não se esqueceu de você; sua vida tem caminho”. É assim que o Evangelho se torna próximo.

Mas essa missão não pertence somente às Irmãs. Agradeço aos sacerdotes, ao diácono, à diretoria, aos colaboradores, voluntários e benfeitores que sustentam o Lar Santa Teresinha. Quando cada um oferece aquilo que pode, a Igreja se torna verdadeiramente uma família que não abandona seus filhos nos momentos de maior fragilidade.

Acolher a Fraternidade “O Caminho” é também renovar um compromisso para toda a nossa Diocese: estar perto dos que mais precisam. Há muitas pessoas esperando uma oportunidade para recomeçar, uma palavra que devolva esperança ou simplesmente alguém que permaneça ao seu lado.

No Lar Santa Teresinha, queremos que cada mulher possa descobrir que seu passado não determina seu futuro. Aqui não se julga o passado, constrói-se o futuro. E esse futuro se constrói um dia de cada vez, com Deus à frente e com irmãos e irmãs caminhando ao nosso lado.

Às Irmãs da Fraternidade “O Caminho”, nossa acolhida fraterna e nossa oração: sejam muito bem-vindas à Diocese de Marília! E a todo o nosso povo, deixo também um convite: não passemos indiferentes diante de quem sofre. Há sempre alguém precisando de uma palavra, de uma presença, de uma mão estendida e, tantas vezes, de uma nova oportunidade. Que nossas comunidades sejam lugares onde ninguém se sinta sozinho ou condenado por sua história, mas encontre irmãos dispostos a caminhar juntos. Que Deus nos conceda um coração atento aos mais frágeis e faça de nossa Diocese uma Igreja cada vez mais próxima, acolhedora e cuidadora da vida. Quando cuidamos de quem mais precisa, tornamos visível o amor de Deus entre nós.