Cristo e a Igreja!
24 de agosto de 2026
Dom Anuar Battisti Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.
O Evangelho – Mt 16,13-20 – convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n’O como “o Messias, Filho de Deus”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
O Evangelho nos coloca diante da pergunta profunda de Jesus dirigida à primeiríssima Igreja: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro responde com fé: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. É a revelação que sustenta a Igreja e a nossa vida cristã: não é apenas conhecimento humano, mas dom de Deus que nos permite reconhecer Jesus como centro de toda a nossa fé.
A primeira leitura – Is 22,19-23 – mostra como se deve concretizar o poder “das chaves”. Aquele que detém “as chaves” não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos; mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça. Esta leitura nos recorda que a autoridade não se mede pelo poder humano, mas pela fidelidade e serviço: o escolhido por Deus carrega a chave da casa de Davi, símbolo de responsabilidade e serviço ao povo.
Tudo está nas mãos de Deus, como Paulo nos lembra em Romanos. A segunda leitura – Rm 11,33-36 – é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projetos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.
Reconhecer a soberania de Deus nos liberta da ilusão do controle e nos convida a confiar plenamente. Ser Igreja hoje significa assumir esta mesma missão: ligar e desligar na terra, com amor e justiça, conforme o coração de Deus.
Devemos fazer uma distinção crucial entre o conhecimento superficial de Jesus e a verdadeira adesão de fé pessoal D’Ele. Duas são as formas de Conhecer Jesus: 1. O saber comum: Quando Jesus pergunta “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”, as respostas apontam para grandes figuras do passado (João Batista, Elias, Jeremias). Trata-se de ver Cristo apenas como um personagem religioso notável, mas distante. 2. A pergunta pessoal: Ao indagar “E vós, quem dizeis que Eu sou?”, Jesus exige uma decisão direta e íntima do discípulo.
A Confissão de Pedro e a Fé como Dom: 1. A resposta de Simão: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). 2. Origem divina: Esta fé não nasce de um mero cálculo humano ou esforço intelectual, mas é um dom recebido do Pai celeste. 3. O fundamento da Igreja: A confissão de Pedro torna-se a “pedra” sobre a qual Cristo edifica a Sua Igreja, demonstrando que a comunidade cristã não se sustenta em méritos humanos, mas na graça da revelação de Deus.
Pedro, que hoje é sucedido pelo Papa Leão XIV, é sinal de liderança servidora, e cada cristão é chamado a assumir sua vocação de testemunha de Jesus no mundo. Deus quer que vivamos com coragem e fidelidade, sabendo que a Igreja, edificada sobre Cristo e animada pelo Divino Espírito Santo, jamais será vencida. Nossa fé é compromisso diário de reconhecer Jesus como Senhor, e de agir no mundo como instrumentos da sua vontade, confiando que Deus guia cada passo de nossa vida!
Fonte: CNBB
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