Corrigir os irmãos com caridade e compaixão!
08 de setembro de 2026
Dom Anuar Battisti Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
A liturgia deste 23º. Domingo do Tempo Comum sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura – Ez 33,7-9 – fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projetos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam. O Senhor esclarece a Ezequiel qual é o papel de “vigia” que Ele confia aos seus profetas: anunciar a verdade, advertir o irmão e zelar pelo bem do próximo.
O Evangelho – Mt 18,15-20 – deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correto para atingir esse objetivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor. O Evangelho nos direciona para essa mesma perspectiva: Jesus apresenta o caminho espiritual para a devida correção fraterna do irmão que errou: primeiro, em particular, buscando a reconciliação, antes de envolver a comunidade. Ele reforça que a unidade e a sua presença fortalecem nossos esforços de restauração e perdão.
A correção fraterna requer que haja um clima de amor e oração e que sejam respeitados os vários passos. Ela exige muita humildade, pois não se trata de julgar nem de condenar. É uma preocupação para com aqueles que não seguem os ensinamentos de Jesus, o qual nos desafia a nos sentirmos responsáveis uns pelos outros.
Que todos nós possamos construir o encontro de corações. Ao superarmos as ofensas, transformamo-nos em uma orquestra coesa. Essa sinfonia de corações faz nossos olhos brilhar e a melodia ressoa em nosso peito, onde Cristo se manifesta “eu estou ali, no meio deles!” (Mt 18,20).
Tenhamos uma esperança serena: o esforço pela reconciliação jamais é em vão. Quando as feridas são tratadas e os corações se unem, a graça da presença divina inunda o ambiente. A unidade fraterna é o palco mais sagrado onde o poder do Senhor se revela! Perdoar sempre resolve! Devemos sempre agir com caridade para com os irmãos e irmãs, superando os conflitos com o diálogo acolhedor, a fim de que a harmonia e a paz reinem em nosso meio!
Na segunda leitura – Rm 13,8-10 –, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada. O mandamento do amor é a síntese de todos os mandamentos. Todos eles estão orientados para o amor. A única dívida que não se consegue saldar, alerta o apóstolo, é o amor ao próximo.
Neste mês da Bíblia, refletimos sobre o Livro de Daniel, com o lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). Nos capítulos 2 e 7, Daniel anuncia que os reinos humanos, embora poderosos, são transitórios e limitados; apenas o Reino de Deus é eterno, seguro e definitivo, oferecendo estabilidade, justiça e felicidade que não se esgota (cf. Dn 2,44; 7,14). Para os nossos dias, a mensagem é direta e transparente. Diante da transitoriedade, diante das incertezas e da efemeridade das coisas, sejamos instrumentos da paz, da justiça e da verdade eternas. Sejamos também instrumentos da correção fraterna, que nos faz retomar “a estrada da verdade, da reconciliação e da paz”. Confiemos no Reino que Deus nos oferece em seu filho. N’Ele, a vida, a comunhão e a alegria não têm fim!
Fonte: CNBB
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