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Catequistas: o chamado a ser Igreja nas realidades que tanto precisam!

01 de setembro de 2026

Dom Vilson Dias de Oliveira Bispo Emérito de Limeira (SP)

Quinto domingo do Mês Vocacional, dia em que recordamos com carinho os nossos queridos catequistas, quando também concluímos a jornada do mês de agosto que celebra a beleza e a urgência dos diversos chamados. A esta altura, a reflexão se aprofunda e ganha um brilho ainda mais significativo, pois a mesma irrompe fronteiras através de quem se propõe a catequizar, traduzindo efetivamente o que durante todo o mês vocacional é fortemente debatido: o chamado a ser Igreja nas realidades que tanto precisam.

Contudo, hoje convido você a refletir comigo acerca daqueles que se dedicam à Formação Cristã não dos nossos pequenos missionários, nossas crianças, mas de nossos irmãos já adultos, que desejosos de um encontro verdadeiro com Cristo e sua Igreja, se colocam em marcha pelo Catecumenato. É a confirmação de que o Espírito Santo não cessa de atração, e que a fé é uma estrada aberta a qualquer tempo da vida.

Assumir a missão de catequizar adultos e acompanhar catecúmenos exige uma sensibilidade pastoral única. Diferente da catequese das crianças, a preparação de adultos lida com pessoas que trazem bagagens densas de vida: histórias marcadas por conquistas, mas também por feridas, questionamentos profundos, buscas sinceras de sentido e, por vezes, traumas ou preconceitos acumulados ao longo dos anos. Acompanhar esse processo é ser testemunha de um verdadeiro renascimento espiritual, onde o Evangelho se encontra diretamente com a maturidade do ser humano.

No entanto, essa nobre tarefa também traz desafios complexos. Os catequistas de adultos frequentemente se deparam com realidades delicadas, como catecúmenos que vivem situações matrimoniais irregulares à luz do Direito Canônico, rotas de vida marcadas por longos períodos de afastamento da Igreja ou ritmos de trabalho exaustivos que dificultam a assiduidade nos encontros. Diante de dogmas, dúvidas intelectuais e dilemas morais próprios da vida adulta, o catequista é chamado a exercitar a arte da escuta, da empatia e da acolhida, superando o simples ensino teórico para se tornar um verdadeiro companheiro de caminhada.

Frente a esses dilemas, os catequistas encontram a força de sua vocação na própria pedagogia de Jesus no caminho de Emaús: aproximar-se, escutar as dores e dúvidas, explicar as Escrituras e caminhar ao lado até que os olhos se abram no partir do pão. Catequizar adultos não é impor respostas prontas, mas propor a beleza da fé com respeito à história de cada um. É ajudar o catecúmeno a perceber que a misericórdia de Deus é sempre maior do que qualquer nó que a vida tenha dado. Ao longo da história da Igreja e no cotidiano de nossas comunidades, abundam exemplos inspiradores dessa missão evangelizadora:

Na Igreja primitiva, grandes teólogos e bispos como Santo Agostinho e São Basílio dedicaram suas melhores energias à catequese mistagógica e à preparação dos adultos para os sacramentos da iniciação cristã, mostrando que a fé adulta dialoga com a inteligência, a razão e a busca pela verdade. Ademais, milhares de catequistas — jovens, adultos e idosos — atuam com dedicação silenciosa nas comunidades urbanas e rurais, adaptando horários, acolhendo casais e promovendo itinerários catequéticos inspirados no catecumenato primitivo, tornando as paróquias verdadeiras casas de acolhida. Embora não se comente muito, em diversas partes do mundo, homens e mulheres dedicam-se à catequese de adultos em situações de extrema fragilidade, como na pastoral carcerária ou em comunidades de recuperação de dependentes químicos, levando a luz do Batismo e da Crisma como penhor de uma nova vida. Assim que o campo de atuação destes nobres irmãos catequistas é por demais amplo, farto e complexo e por isso também nos cabe lembrar deles em nossas orações no dia de hoje.

Catequistas de adultos: a missão de vocês é um presente inestimável para a Igreja! Vocês são os guardiões da porta que se abre para aqueles que procuram Cristo na idade madura. Quando o cansaço surgir ou as exigências de quem caminha parecerem pesadas, lembrem-se de que a graça de Deus não tem prazo de validade e que a alegria de ver um adulto abraçar os sacramentos renova toda a comunidade paroquial. Mantenham-se firmes, pacientes e alegres nesta santa vocação. Que a fé madura, a sabedoria e o amor de vocês continuem a gerar novos filhos e filhas para Deus, lembrando a todos nós que nunca é tarde para encontrar o Senhor e recomeçar!