CNBB

23º Domingo do Tempo Comum

03 de setembro de 2026

Cardeal Orani João Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

“Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor”. (Sl 94/95)

Celebramos neste domingo o vigésimo terceiro do Tempo Comum, e iniciamos na última terça-feira o mês da Bíblia em que devemos nos dedicar mais ao estudo, aprofundamento e meditação da Palavra de Deus. Procure colocar a Palavra de Deus em destaque na sua casa e medite a Palavra junto com sua família, vizinhos e amigos. Coloquemos a Palavra de Deus em destaque nas nossas comunidades e façamos círculos bíblicos para meditar a Palavra. O Senhor prometeu sempre estar no meio de nós, Ele mesmo disse: “Onde dois ou mais estiverem reunidos, Eu estarei no meio deles”, hoje Ele está no meio de nós quando nos reunimos para ouvir a sua Palavra e comungar de seu corpo e sangue. Neste ano o livro bíblico que estaremos aprofundando é o do Profeta Daniel e o lema vai nos ajudar a compreender o Reino de Deus diante dos reinos do mundo que passam.

A Palavra de Deus tem papel fundamental na nossa vida, inclusive quando vamos a missa “comungamos” de duas grandes mesas a da Palavra e a da Eucaristia. Abramos nossos corações e nossos ouvidos para a Palavra de Deus e depois nos alimentemos do Corpo e Sangue de Cristo.

Na missa deste domingo o Senhor nos envia para anunciarmos a sua Palavra e animar os entristecidos e encorajar aqueles que estão com medo. O Senhor nos envia para vivermos o mandamento do amor, para que ao realizar a sua vontade o amemos sob todas as coisas e o próximo como a nós mesmos. Aprenderemos a amar mais o nosso próximo ao meditarmos a Palavra de Deus e observamos o quanto Deus nos ama. Façamos essa experiência da meditação da Palavra ao longo desse mês de setembro, que é o mês dedicado a Palavra de Deus.

A liturgia fala sobe a “correção fraterna”, que nada mais é do que uma demonstração de amor ao próximo. Ao corrigir alguém que errou não podemos expô-lo publicamente na frente dos demais, mas chamá-lo a parte e corrigir fraternalmente, conversando. Se essa pessoa não te ouvir chame mais uma ou duas pessoas e se mesmo assim não ouvir, aí sim chama a Igreja. Se nem a Igreja ele ouvir seja tratado como pagão ou pecador público. Mas, cada pessoa deve ter uma segunda chance e não temos o direito de julgar ninguém, somente Deus pode julgar os atos de cada pessoa.

A primeira leitura da missa é da profecia de Ezequiel (Ez 33,7-9), o Senhor fala ao profeta que Ele é o guardião da casa de Israel e fala ao profeta sobre a “correção fraterna” que é o que Jesus vai falar no Evangelho deste domingo. O profeta deve advertir o povo em nome de Deus a não seguir por caminhos errados. O profeta deve alertar os ímpios a trilharem o caminho da justiça. Se o ímpio ouvir a voz do profeta e se converter o profeta ganhou esse irmão e os dois serão salvos. Agora, se o ímpio não quiser escutá-lo, ele morrerá por sua própria culpa e o profeta, porém salvará a sua vida.

Sejamos profetas hodiernos e que possamos ganhar muitos irmãos para Deus, corrigindo as suas condutas fraternalmente, é nossa função como homens e mulheres de Deus e encontrando com aquele que está em qualquer situação de pecado, não podemos nos calar, mas ajudar que essa pessoa se salve. Isso é uma maneira de amar o nosso semelhante.

O salmo responsorial é o 94(95), que diz em seu refrão: “Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor”. Abramos o nosso coração a voz do Senhor, Ele pode nos falar através da oração ou por meio de alguém como ouvimos na primeira leitura. Ouçamos o que o Senhor nos diz para que alcancemos mais facilmente a salvação.

A segunda leitura da missa deste domingo é da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10), Paulo também fala à comunidade dos Romanos sobre o mandamento do amor, cada um deve amar o próximo como a si mesmo, e ninguém deve dever nada ao outro, a não ser o amor. Devemos ofertar e desejar ao próximo somente o amor e coisas boas, e não desejar o mal: o cristão não deve desejar o mal do próximo. Paulo conclui dizendo, que o amor é cumprimento perfeito da lei.

O Evangelho deste domingo é de Mateus (Mt 18,15-20), nesse trecho do Evangelho Jesus fala aos discípulos e a nós sobre a correção fraterna, se alguém pecar contra nós ou fazer algo que não gostamos devemos chamar essa pessoa e corrigi-la fraternalmente. Não devemos sair por aí falando mal dessa pessoa e dizendo para todos o que ela nos fez, isso é errado, pois acabamos expondo essa pessoa e fazendo com que todos passem a julgá-la sem saber de fato o que aconteceu.

Jesus orienta a chamar essa pessoa em particular e resolver a situação, somente com essa pessoa, tudo pode se resolver com uma boa conversa. Se essa pessoa não quiser nos escutar podemos chamar mais uma ou duas testemunhas, se nem as testemunhas essa pessoa ouvir, aí

apresentamos a Igreja, e se ainda não resolver que seja tratado como um pecador público ou pagão.

Após dizer isso, Jesus envia os discípulos e diz a eles que tudo o que eles ligarem na terra será ligado no céu e tudo o que eles desligarem na terra, será desligado no céu. Por isso, ao perdoarmos uma pessoa aqui na terra por algo que ela nos tenha feito, estamos praticando um ato de misericórdia, e com isso alcançaremos mais facilmente a salvação, a nossa e a da pessoa que nos ofendeu.

Jesus termina esse evangelho dizendo que onde dois ou mais estiverem reunidos Ele estará no meio, a exemplo de todas as vezes que participamos da Eucaristia, o Senhor sempre está em nosso meio. Do mesmo modo quando nos reunimos em casa para rezar e meditar a Palavra de Deus, mesmo que seja com mais uma ou duas pessoas, o Senhor está ali presente, através do Espírito Santo e da fé que cada um traz em seu coração.

Celebremos com alegria esse vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum e tenhamos a certeza de que o Senhor caminha conosco. Peçamos a Deus a graça de saber perdoar os nossos semelhantes e não os julgar, pois da mesma forma que pedimos que Deus nos perdoe, também devemos perdoar os nossos semelhantes. Amém.

“O amor é cumprimento perfeito da lei” (Rm 13,10)